Fiat Lux!

Nome: Anjo, Arcanjo, Caído, Guardião

Local: Abismo, ou até onde minhas asas puderem alcançar-te

O que amo: Aqueles a quem protejo

O que odeio: Tantas coisas que não vou nomeá-las, deixarei que descubram com o passar do tempo

O que não tolero: Que brinquem com os sentimentos. Sejam meus, seja daqueles a quem protejo.

Minhas Metas: Não há metas, pois nunca se sabe para onde os ventos hão de me soprar e o que vou enfrentar.

O que está escrito na lança: "Deseje o melhor, prepare-se para o pior e aceite o que conseguir". - Ditado Árabe que jamais deve ser esquecido.

Direitos Autorais: © Todos os direitos são reservados. Os direitos autorais são protegidos pela Lei nº 9.610 de 19/2/98. Violá-los é crime estabelecido pelo Artigo 184 do Código Penal Brasileiro. Se você quiser copiar, não esqueça de divulgar a autoria.

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Prêmio Dardo

(2 Nomeações)

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Significado

"Reconhecer os valores que cada blogueiro mostra a cada dia, seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. Em suma, demonstra sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras..."


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  • Ainda nomearei os demais...


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    Blog de Ouro


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    5:59 PM
     

    Abismo – Parte IV


    Saímos e entramos diversas vezes dali. Jamais sozinhos, pois não seria prudente.
    Batalhávamos em reinos separados e por vezes parecíamos tão distantes um dos outros que alguns iluminados se acalmaram.
    Em parte...
    Presenciava de longe alguns atos que causavam tremores nas linhas que Destino me mostrava.
    Sabia o que aquele perpétuo queria me dizer com seu olhar cego e seus lábios mudos, via as linhas espiraladas que ele traçava e por vezes me resignava.
    - “Sabes que não poderás acumular tamanho carma para ti. Sabes muito bem que ele já viu o que estavas escondendo tão bem com tuas negras asas”.
    Suspirei longamente em concordância, pois à voz de Destino, era como se meu próprio irmão conversasse comigo em seus momentos de “paz”.
    E minhas asas agitavam-se a cada visão que me mostrava o que meus irmãos mais novos aprontavam.
    Estrela-da-Manhã tocava meu ombro. Não havia grilhões ali, mas ele também se preocupava.
    Um clamor e ali estávamos aos olhos de Destino e de muitos outros.
    Outros estes que se esgueiravam sentindo que aquele encontro geraria ganhos para suas causas e Destino sabia, assim como eu também sabia, mas não aceitava o que estava predestinado a acontecer.
    A fúria foi crescendo entre os demais.
    Por um lado eu via a fé sendo abandonada, largada de uma forma que me deixava incrédula com o que estava acontecendo ali.
    Por outro lado eu via chispas de fogo crescendo, dúvidas sendo lançadas, estocadas de lança que sabiam onde atingir, como ferir.
    E não muito distante, eu via uma tentativa frustrada de abrir os olhos que desejavam se fechar, mostrando o que perdíamos ali, e risos baixos que cresciam à medida que tudo aquilo avançava.
    Grilhões. Eu escutava aqueles grilhões que retiniam alto na tentativa de libertar. Sentia em meu corpo cada golpe dado por aqueles que brigavam entre si. Escutava minhas asas gritando à medida que sentia as mãos que avançavam em direção a eles, meus protegidos, quase sendo arrancadas de meu torso enquanto meu irmão gritava.
    - “FAÇA ALGO! ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS”!
    Gritei. Como há muito não fazia. Gritei com todas as minhas forças e não houve palavras que me impedissem naquele momento.
    Minhas sombras cresceram de um modo assombroso e Estrela-da-Manhã sabia, em sua alma, que o que viria a seguir não teria mais como ser remediado.
    O Abismo que estava tão longe veio a mim. Englobou nossos corpos naquela escuridão sedenta e faminta. Fez-me erguer minha lança contra meus próprios irmãos e eu julgava. Julgava a mais nova dos quatro, com os olhos sombrios como o Abismo. Não havia piedade em minha alma e o terceiro temeu. Ali em minhas mãos brilhava a lança da justiça. Justiça essa que um dia condenara muitos.
    “Ela não é digna, sabes o que tem que fazer”.
    Mikhael sussurrava, meu irmão mais novo clamava, tentando trazer razão à minha mente mais uma vez.
    Quão tentador era fazer o que era necessário, esperar mais mil anos que fossem apenas para não dar a eles o gosto da vitória.
    Não.
    Mikhael e Astaroth, não tinham idéia do que eu seria capaz, mas Estrela-da-Manhã e Cibele bem o sabiam do que eu seria capaz.
    Silêncio...
    Cibele caía de joelhos, sentindo a minha fúria, sabendo por antecipação o que estaria predestinado a ela, pelos sorrisos dos iluminados, e pediu-me perdão.
    Com semblante sério, tendo ali Abismo, iluminados e Estrela-da-Manhã presentes, dei a ela meu julgamento.
    - Faça por merecer! Até lá...

    ...

    - “As cicatrizes que deixaste nela, farão lembrá-la o que ocorreu neste dia”.
    - Eu apenas fiz o que devia ser feito... Loviathar. – murmurei já fora do Abismo, tentando curar minhas novas feridas de batalhas.
    Ambos suspirávamos, pois não sabíamos se eles viram aquilo que minhas asas tão bem encobriram.
    --------------------------------------
    Veja também:


    Sussurrado por Tyr Quentalë - 5:59 PM
    2 :... Encontre a si mesmo ...:

    4:21 PM
     

    Abismo – Parte III


    O Abismo se encontrava conturbado.
    Muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo.
    O quarto irmão fazia seus grilhões serem escutados.
    Antevia os passos de minha irmã, seguia-a como uma sombra, sabendo dos perigos que ela enfrentaria se fosse só.
    Sabíamos eu e Estrela-da-Manhã, o preço que seria cobrado.
    - Não podes protegê-la para sempre.
    Ele estava certo, mas ainda dói-me o peito a simples possibilidade em pensar que algo acontecendo aos meus protegidos, eu jamais me perdoaria, sabendo que antevi e que poderia evitar algo de ruim.
    Ao longe escutava outros sussurros, via o que ocorria em outros locais fora do Abismo.
    Minhas asas cresciam como extensão daquelas sombras e meu olhar ficava mais distante.
    - Venha! Não podemos mais ficar aqui.
    Havia uma voz imponente. Uma ordem e não um pedido formal de apenas preocupação e por mais que eu pensasse em relutar. Os dedos dele se fechavam em meu braço.
    - Não te deixarei para trás.
    Parte de mim relutava, eu conhecia os caminhos sombrios, sabia os locais certos para cada uma de minhas batalhas, sabia como enfrentá-los, via cada caminho, cada fim, cada futuro moldável.
    Meu coração pulsava, pois a cada passo avançado, as batalhas tornavam-se mais árduas.
    A insanidade poderia vir se instalar ao coração e à mente de quem eu menos desejava que fossem tomados e o Abismo não perdoava.
    - “Apenas aqueles que aqui habitam, são capazes de saírem vivos”.
    - O preço poderá ser alto demais. – Aquela voz se impunha sobre o sussurrar do Abismo, tão cativante, pois ambos sabíamos que havia muito mais em jogo e que as batalhas deviam ser longe dali.
    Rosnei levemente e em minha resignação murmurei que minhas asas às vezes agiam por conta própria.
    Ele sabia a cruel verdade que isso significava aos Guardiões e serenamente pediu-me para que não batalhasse mais só naquele local.
    Concordamos em sair do Abismo por um tempo, pois no fundo, nos conhecíamos e sabíamos que o Orgulho é um dos nossos piores defeitos.
    --------------------------------------
    Veja também:
    Abismo


    Sussurrado por Tyr Quentalë - 4:21 PM
    1 :... Encontre a si mesmo ...:

    12:12 PM
     

    Sombras à madrugada


    A madrugada seguia por mim, enquanto a chuva caía torrencial e van alguma queria levar-me para a Central do Brasil. Deveria ter me preparado melhor, mas havia bem pouco que poderia fazer agora. E pelo jeito q todos os motoristas chegavam anunciando que não pretendiam voltar, o caminho de volta ao Rio deveria estar bem ruim, com tanta água. Sobre a plataforma, já éramos o suficiente para lotar duas viagens e mesmo assim nenhuma van de volta. Até, claro, a mais ferrada de todas surgir do nada, desembarcando uma lotação naquela rodoviária de interior e anunciando que voltaria.

    Seguiria até o destino final, então sentei-me ao fundo, em um canto. Ao meu lado, curiosamente, um pastor evangélico negro trazia sua bíblia e me cumprimentava, antes de pegar o celular para avisar a alguém q finalmente havia conseguido condução de volta à capital. Em meio à conversa, um dado curioso: "Fui comprar os sapatos e vieram me chamando de pastor, daquele jeito, sabe? Quase perguntei se me preferiam de volta nas drogas e no crime." Ao nosso lado, sentou-se um senhor fedendo a álcool que não sabia indicar onde precisava saltar. Todos demorando a se acomodar, bem mais gente do que deveria caber, ali. Mas fomos.

    Em meio à jornada, o pastor lia Pedro: Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo; Se é que já provastes que o Senhor é benigno. A página terminava aí, junto com meu interesse, e fui dar conta de passar meu próprio tempo longe das palavras dos outros primogênitos e da igreja do Filho. Tenho uma predileção, ao jogar Sudoku, por cantar em voz baixa os números q procuro. O q causou uma reação curiosa do pastor, cada vez q eu procurava os seis, de três em três quadrados. "Meia, meia... meia."

    Central do Brasil. A van mais lerda da história me deixara lá depois de 00h40 e encontrei o ponto do 184 vazio. O pastor havia seguido qualquer outro caminho. Quando cheguei à plataforma do meu ônibus, já havia um outro rapaz, 30 e poucos anos, talvez, e ficamos aguardando. 3 carros vieram e os 3 avisaram q já dirigiam-se à garagem, depois dali. 01h25 o homem pergunta-me "Quer rachar um táxi até o ponto final, em Laranjeiras?"; "Como sabe que vou pro ponto final?"; "E porquê não saberia? Mas a 3 quadras daqui passam o 497 e o 498, tbm." Eu sabia desses dois ônibus, mas não costumava caminhar até lá. Era em si um lugar bem ermo. Fomos.

    Em meio à espera, dois homens, negros, vieram ao ponto. Um deles, mais baixo, enfurecido. O outro um homem mais alto, forte, carregando uma cesta de natal. O primeiro relatava de como lhe haviam roubado a mochila. "Não tinha nada de valor lá! Eu não tenho nada de valor! Só minhas roupas do trabalho, meus documentos, cara. Meus instrumentos. O q me define!" O homem que estava comigo começou a sorrir e me olhou de soslaio, antes de conversar com o revoltoso. "Levaram mesmo? Mas na mão grande assim?"; "Assim, cara. Porra, hoje quem me olha torto eu pego."; "Os justos pagarão pelos pecadores."; "Issaê! É bíblico, né? Mas é isso mermo! Quero porrar alguém hoje. Os justos pagarão pelos pecadores! Minha mochila, cara, porra!"

    O homem ao meu lado instigava aquele mortal a falar cada vez mais. O rapaz gritava. Quando veio o 498, sentou-se, furioso, ficava dando socos na cadeira. Dizia q queria pegar um. E repetia o tempo todo "Os justos, cara... alguém vai pagar por esse pecador filho da puta." O ônibus estava mais sujo q a calçada. Terra virara lama, latinhas de cerveja, duas, rolando pelo chão. Várias pessoas lá dentro, o homem incomodando, o outro sentado atrás dele e eu e o rapaz da Central que me levara até ali sentados no fundo. Até que ele se pronunciou "Tá vendo? Isso é bíblico." e começou a rir.

    Começou a conversar comigo sobre o quão insanas se tornam as madrugadas. Que mundo é esse, de ataques a esmo e um filho, porque todos supostamente somos filhos de Deus, honesto, trabalhador, sendo roubado de tudo o q tem. Uma mochila. Roubaram-lhe tudo o que tinha, que ele carregava às costas. Me fez a pergunta. "Quanta gente já perdeu igual, suas... mochilas?" Foi quando meus olhos se abriram, como minhas asas... percebi com quem eu falava. Toda a violência que se construía naquela cena, todas as palavras e até onde aquele homem me levara. Observei-o sorrir, quando o incômodo do passageiro se tornou demais e o trocador foi ter com ele. O ônibus parou, a briga havia estancado, as pessoas tentando separar. O assaltado berrava.

    Pude ver aquele homem perdendo asas... Não as dele, mas aquela raiva era a de um caído. Aquele mortal provocava-se com a mágoa de um de nós. E ao meu lado, Beelzebuth sorria. "A madrugada de um trabalhador. Revoltado, incontido." Quando separaram tudo e o ônibus começou a andar, o trocador olhou para nós, lá no fundo, os únicos q nada fizeram em meio à confusão. A gravata rasgada e a cruz pendendo do pescoço.

    Os dois saltamos perto do ponto final do 184 e caminhamos. Ele me falava, como me falaria há eras atrás: "Aquele cara tá certo, sabe? Tem horas q violência só se pode revidar. Violência gera violência, então pra quê ficar parado quando te provocam?"; "Existem momentos, sim..."; "Quer momento melhor que às duas da madruga?"; "Tem horas que parece q o demônio vem mostrar seu exército, orgulhoso."; "Do jeito q tá fácil pra ele, estranho seria se não fizesse."

    Ao alcançarmos a esquina de minha rua, logo ao ponto final, ele falou "Valeu, cara, boa noite" e virou-se em um caminho totalmente oposto, voltando a descer a rua. Só respondi "Boa noite, Rei das Moscas", ao q ele sorriu, antes de ir-se.

    Beelzebuth, general, mostrava-me suas garras.



    Sussurrado por Portador da Luz - 12:12 PM
    1 :... Encontre a si mesmo ...: