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3:42 PM
Peças que se encaixam - Parte II
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Meus olhos se mantinham baixos. Há algum tempo ele se encontrava unido a minha essência. Mais tempo comigo que por outros cantos sondando os humanos. Estava ferido de modo profundo e sentia suas feridas se abrirem à medida que o tempo ia passando e seus olhos presenciavam o feito dos demais. - Como agüentas? – murmurou-me vendo a quantidade de cicatrizes que se espalhavam por meu corpo e asas. Com um gesto, abri uma fenda ao Abismo para que sua essência se sentisse mais liberta e ele pudesse caminhar ao meu lado. - A cada nova encarnação, eu reaprendo, vivencio as mesmas batalhas e feridas. Suspirou em comum acordo que tinha comigo, pois sentira cada batalha que vivenciei, antes de despertar em sua atual vida que deixara de lado. - Mas não desistiras como desisti, como há muito venho desistindo. Abaixei meu semblante, mostrando meu lado pensativo, deixando minhas asas se abrirem portentosas, abrindo fendas no espaço-tempo. A cada fenda, uma janela tomava forma. Janelas de sofrimentos, de vidas, de amores sofridos, não realizados, não consumados; amores violentos, intensos, explosivos; amores raros felizes, por breves momentos e então um abraço. - Feche-as... Eu... Não suporto mais ver isso... – Murmurou-me de modo débil. - Não tenhas pena do que viste meu irmão, pois são estas marcas que tornaram mais forte quem nos libertara. A voz vinha baixa, grave, de modo imponente. Assustado vira-se buscando com os olhos quem o repreendera, mantendo o abraço em volta de quem mostrara tantas batalhas e seu coração surpreendera ao ver aquelas asas que mudam de cores como convém ao portador delas. - Liberto! Mas... Suspirei-me soltando do abraço que tentou me proteger e murmurei. - A mais tempo do que imaginas, nós nos encontramos. A mais tempo do que eu imaginava, ele se mantinha desperto... Mas o último grilhão apenas fora rompido, quando a venda retirei de meus olhos... Incredulidade pude sentir as asas dele e meu guardião, repreendeu-o mais uma vez. - Não ouses fazer isso, nosso irmão já sofreu por tempo demais... E uma janela permaneceu aberta... Com cena tão pesada se repetindo... Um corpo, caído ao chão, tão cheio de feridas e lança cravada perto do coração... Lágrimas que escorriam de quem segurava aquele corpo aos braços em sussurro tão desesperado... - “Por que me seguiste?” Interrompi a cena, fechando a janela antes do desfecho... - Por que fechaste? Por que o seguiras? Como agüentas tamanho sofrimento e tamanhas feridas? Suspirei sorrindo e duas vozes se uniram. Tão frias... Tão certas... - Ainda não sabes?
Sussurrado por Tyr Quentalë - 3:42 PM
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