Fiat Lux!

Nome: Anjo, Arcanjo, Caído, Guardião

Local: Abismo, ou até onde minhas asas puderem alcançar-te

O que amo: Aqueles a quem protejo

O que odeio: Tantas coisas que não vou nomeá-las, deixarei que descubram com o passar do tempo

O que não tolero: Que brinquem com os sentimentos. Sejam meus, seja daqueles a quem protejo.

Minhas Metas: Não há metas, pois nunca se sabe para onde os ventos hão de me soprar e o que vou enfrentar.

O que está escrito na lança: "Deseje o melhor, prepare-se para o pior e aceite o que conseguir". - Ditado Árabe que jamais deve ser esquecido.

Direitos Autorais: © Todos os direitos são reservados. Os direitos autorais são protegidos pela Lei nº 9.610 de 19/2/98. Violá-los é crime estabelecido pelo Artigo 184 do Código Penal Brasileiro. Se você quiser copiar, não esqueça de divulgar a autoria.

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"Reconhecer os valores que cada blogueiro mostra a cada dia, seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. Em suma, demonstra sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras..."


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    2:40 PM
     

    Abismo


    O Palácio há muito não era visto por meus olhos. Arcádia continuava imersa nas sombras das dores que carregava em suas terras, mas aquelas lágrimas de sangue um dia secariam e eu voltaria a ver a Rainha se reerguer soberana com suas novas cicatrizes de guerra.
    Por muito tempo contemplei o horizonte obscuro, por mais tempo, ainda, mantive minhas asas zelando pela alma de meu protegido.
    Mas meu coração pulsava, retumbava a voz dos ventos que clamavam por minhas asas e eles me levavam novamente ao local tão bem conhecido.
    O Abismo.
    Por mais que eu tenha escutado os avisos para não mergulhar na negritude que agrilhoa sem perdão, aquele lugar não era questão de opção.
    - “Apenas aqueles que aqui habitam, são capazes de saírem vivos”.
    Esta era a voz do Abismo. Do início e fim. Do tudo e do nada e eu não o temia.
    A questão não era sair vivo, mas de não se deixar agrilhoar e perder as esperanças ao caminhar por lá.
    À entrada é possível escutar os clamores e as lágrimas e nesse momento é cauteloso deixar as emoções bem guardadas.
    Sufocantemente tentador, mergulhar em tal lugar é como adentrar um poço de águas negras que deseja afogá-lo.
    Tentáculos percorrem seu corpo espiando suas culpas, seus anseios e seus temores. Mostram-lhe futuros capazes de trespassar seu corpo e arrancar seu coração.
    Tentam seduzi-lo para que ali permaneça e se deixe agrilhoar, fazendo com que você esqueça quem é e do que é capaz.
    O Abismo então se torna uma etapa necessária, para que se livre do elo que o prostrará ao chão e que desista de suas batalhas.
    E mais uma vez eu lá me encontrava.
    Não precisava de meus olhos, sequer de iluminação.
    Não precisava relembrar os temores que tive há tão pouco tempo atrás.
    Havia motivos para estar ali e um a um, fui os encontrando.
    A cada novo selo rompido e grilhão quebrado, sentia a cobrança do Abismo.
    - “Apenas aqueles que aqui habitam, são capazes de saírem vivos”.
    Não retrocederia em minhas escolhas, nem mesmo me abateria por aquelas tentações que me circundavam e a cada momento sentia meu corpo fraquejar.
    O sangue escorria por meu corpo e minhas asas pesavam cada vez mais. Sentia o sufocante peso que preenchia meus pulmões e trêmulo caí ao chão.
    - Asas... ASAS!!!
    Meu corpo encharcado era virado e aos poucos eu os via ali...
    Belos em suas formas, com suas asas tão cicatrizadas quanto as minhas e por um momento sorri.
    - Apenas aqueles que aqui habitam, são capazes de saírem vivos...
    - E de se redimirem...


    Sussurrado por Tyr Quentalë - 2:40 PM
    4 :... Encontre a si mesmo ...:

    1:12 PM
     

    Penas Manchadas de Sangue – Parte V


    Os céus escureciam, trazendo ventos tempestuosos e frios.
    Minhas asas estavam recolhidas e eu podia vê-lo ali tão distante de minhas asas.
    A floresta crescia de forma ameaçadora. Não apenas a de espinhos, mas uma outra que avançava em suas garras, feitiços e venenos.
    Havia uma aura diferente e por mais que eu gritasse, ele não me escutava.
    Os tambores ressoavam a mesma coisa e meus olhos se afligiam.
    Algo segurava minhas asas, para que eu não voasse até ele com a lança em punho.
    Meus passos estavam cada vez mais arrastados.
    O chão tornava-se lodoso, pegajoso e minha alma estremecia a cada momento que eu via a batalha entre a floresta de espinhos e aquela nova floresta que avançava.
    Gritos...
    Gritos...
    Minha alma avançava...
    E ali tão próximos deles, pude ver aquele brilho no olhar.
    Um olhar escuro...
    Sombrio...
    Um sorriso sádico e vitorioso de quem o segurava...
    Via as correntes subindo como heras venenosas...
    Intoxicando-o...
    Aprisionando-o...
    Via-o estremecendo...
    Suspirando...
    Aquele brilho no olhar já não me deixava reconhece-lo mais...
    Meu corpo afundava...
    Tão próximo...
    Tão distante...
    E meus olhos ao buscarem os dele,
    Vira algo que me fez estremecer.
    - Não! Não! Por toda Arcádia... NÃO!!!
    Meu corpo afundava, no lodoso pântano sedento e faminto, onde a água me afogava me tragando para o Abismo.
    Minhas asas lutaram ao que tentavam arranca-las e então em minha batalha uma voz preocupada:
    - Anjo! ANJO!
    Meus olhos se abriam cansados...
    Meu corpo inteiro estava suado...
    Ali via, não o Rei, mas o Andarilho olhando-me intrigado e em tom baixo murmurei...
    - Névoa...
    - A dissipar.

    --------------------------------------
    Veja também:
    A Presença de um Cigano
    Penas Manchadas de Sangue - Parte I
    Penas Manchadas de Sangue - Parte II
    Penas Manchadas de Sangue - Parte III
    Penas Manchadas de Sangue - Parte IV


    Sussurrado por Tyr Quentalë - 1:12 PM
    1 :... Encontre a si mesmo ...:

    12:27 PM
     

    Contemplação - Parte II


    Seus olhos se cruzam, medindo um ao outro.
    Olham-se de cima a baixo, com sorrisos aos cantos dos lábios.
    O ar imponente, de caçadores e presas, eletriza os arredores e então...
    O embate...
    Rugidos que estremecem as bases do mundo.
    O rasgar da pele em mordidas vorazes.
    Corpos que se misturam, que se confundem no firmar de suas garras.
    A necessidade crescente de não serem derrotados.
    Silêncio...
    Os corpos arfam em desafio constante, rodeando, medem-se uma vez mais.
    Os brilhos aos olhos tão diferentes e a batalha torna-se crescente.
    Lutam com fúria se tornando deuses, deixando marcas no corpo oponente.
    Lutam por dias e noites sem fim e exaustos caem no campo de batalha.
    Olhares se cruzam uma vez mais...
    Último rompante...
    Os corpos chocam-se nos últimos resquícios.
    Urros escapam nas feridas mais profundas.
    Corpos caem desacordados.

    Meus olhos se mantinham sobre aquela batalha e aos poucos a seriedade em meu semblante torna-se serenidade. Salto ao ar, abrindo minhas asas, deixando que minhas sombras cubram o reino. Um leve estremecer aos corpos dos desacordados e sorrindo repouso meus olhos sobre eles.
    Contemplo-os em sua beleza selvagem, nos sentimentos que tomavam vossas almas.
    Contemplo-os quando mais estão indefesos ao resto do mundo e sereno, abro minhas asas.
    Percorro meus olhos na negritude que carrego e em tom baixo, murmuro:
    - Certas cicatrizes são necessárias.
    Minha mão eletriza, ao avermelhar de minha íris, deixando minha lança surgir traiçoeira como sempre ela fora.
    Sussurro baixo, quase sibilante, confesso dos atos e sentimentos meus.
    - Sou capaz de enfrentar as piores tempestades... O Inferno, Abismo, o que for... Se isso significar proteger o que aqui vejo e o que aqui sinto.
    - Descansai...
    - Guerreiros...
    - Presas...
    - E Predadores...
    --------------------------------------------
    Veja também:


    Sussurrado por Tyr Quentalë - 12:27 PM
    0 :... Encontre a si mesmo ...:

    4:36 PM
     

    Contemplação - Parte I


    Está ali com seu corpo em curvas suaves e delicadas. Desprovida das vestes que por mim antes foram arrancadas. Respira serena em sua pele arrepiada, clara, com pequenos salpicares que invejariam o céu.
    Está ali com as madeixas espalhadas em suas cores outonais, invernais, tudo o mais.
    Faz-me lembrar da maciez de seus finos fios, que tão bem moldaram em dedos meus.
    Do brilho oscilante mostrando-me luxúria, mostrando-me desejo.
    Da opacidade desmascarada de sua alma, mostrando-me carinho, mostrando-me respeito.
    Faz-me ver além daqueles poços profundos, de perder-me em pensamentos de afogar-me e renascer e arrasta-la junto ao meu corpo para um abismo tão bem explorado.
    E mesmo mergulhando em profundo abismo, ergue-me, eleva meu corpo em intenso momento, no qual nossos corpos ganham novas marcas, novas cicatrizes, novos anseios.
    Está ali, ressonando em paz da qual apenas desfruta em momentos seus, em momentos meus.
    Assombra-me, reacende meu desejo, ao que seus traços eu novamente reinvento, à medida que sinto a pele amornada em meus dedos.
    Rebusca o ar por entre seus lábios em sinuares deliciosos ao qual conduzo seu corpo, mesmo ainda estando tão bela e serena em seu sono.
    Sinto a fome aumentar à medida que insinuo meu corpo, mordendo seu pescoço arrancando gemidos de seus lábios.
    Arrepio-me todo ao sentir suas mãos deslizando por minhas costas em arranhares demorados.
    Cravo mais forte meus dentes à tua pele, regozijando-me com o estremecer de seu corpo, da respiração descompassada e dos gemeres ao se entregar.
    Sinto seu corpo a me buscar, aos meus dedos cerrarem em seus cabelos mais uma vez e do tomar violento de seu corpo.
    Seus olhos mais uma vez se abrem e mais uma vez me perco, nos encaixares, nos violares, nos gritos e espasmos que você ainda há de soltar.
    E mais uma vez eu a tomo, eu a rasgo, a devoro, a dilacero.
    Mais uma vez você se entrega por completo e uma vez mais sentes a minha entrega.
    Uma entrega silenciosa...
    Um compartilhar...
    E mais uma vez eu a encontro ali, com seu corpo em curvas delicadas, com suas madeixas espalhadas e com salpicares à pele clara que invejariam os céus.
    - Descansai...


    Sussurrado por Tyr Quentalë - 4:36 PM
    4 :... Encontre a si mesmo ...: