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10:28 AM
Penas Manchadas de Sangue – Parte III
Sentado ao pináculo me pego observando aqueles corpos a bailar em seus urros de guerra, em seus sorrisos e no prazer de dilacerar os corpos de seus inimigos. O Palácio tão iluminado, estava mais uma vez vivo. Mostrava-se forte perante sombras que não aceitam essa força renovada e poderosa. Temor... Sim, era isso que eu podia sentir nas almas daqueles que tentavam ou tentam derrubar Lorde e Rei. Sorria de modo singelo, na certeza de que nada mais poderá derrotá-los. O orgulho transparecia aos meus olhos, por ter me mantido ao lado deles durante esse longo tempo em que o Palácio se manteve em trevas. Mas outros locais me chamavam. Eriçavam minhas asas ao ponto de fazer meu sangue ferver em ódio inesperado. Os senhores batalhavam, mas seus olhos puderam vislumbrar o momento que esse Anjo mergulhou dentro do Abismo ao que outro eco do passado se reergueu em suas garras afiadas. Ódio... Foi isso que me moveu, quando mergulhei em feroz batalha contra um Anjo que já me era conhecido. Golpeava-o com força, com meus olhos injetados de um veneno antigo. Não o escutava mais... Mesmo vendo a face surpresa daquele que tentava se defender de minha fúria. De seus lábios eu escutava sibilos, sentia o cheiro pútrido do verme que um dia me agrilhoou e quase extinguiu minha fé. De meu rosto desciam lágrimas de puro ódio, enquanto Lorde e Rei me alcançavam detendo meus braços. Seguraram-me forte. Traziam de volta a razão à minha mente e alma. O Anjo que todo o momento gritou comigo em meio à batalha tentando trazer clareza aos meus olhos, agora se encontrava ferido, fora da influência daquela sombra, daquele eco tão poderoso que ainda conseguia me afetar. Sussurros... O conter forte dos meus braços ou do corpo, jamais tiveram intenção de me agrilhoar. Sussurravam... Curavam... Acalmavam... O Anjo a quem feri com o ódio cego que possuo por este eco reerguido, ainda estava com o corpo trêmulo, quase dilacerado por minhas garras e lança... Um suspiro escapava de minha parte e eu estendi minha mão. - Desculpe-me irmão.
Aos visitantes desse Reino... Deixarei o benefício da dúvida sobre o que ele me respondeu... --------------------------------------
Veja também:
Sussurrado por Tyr Quentalë - 10:28 AM
5 :... Encontre a si mesmo ...:
12:01 PM
Penas Manchadas de Sangue - Parte II
A terra estremecia. Um tremor que trazia silêncio à cantoria, intensificando o rufar dos tambores de guerra. Junto a mim vários olhares buscaram a mesma direção. Vários corações retumbaram fortes, incertos do que aquilo viria a significar. O Cigano erguia a mão aos poucos apontando a direção do Palácio, mas também presenciava que meu corpo seguiu a mesma velocidade do erguer de sua mão. Meus olhos se esmiuçavam, enquanto minhas asas rasgavam as sombras que cresciam sorrateiras sobre as minhas sombras. Ecos antigos de sombras traiçoeiras. A Fera urrava desperta em sua sede de vingança. Um nobre mostrava suas garras e presas em seu brado de guerra. Entrei com o rugir do vento que se erguia diante de tamanho brado e abracei aquele corpo. Meu coração se encontrava disparado, minhas mãos seguiam seus braços, meu olhar tornava-se determinado. Os tambores se encontravam insanos em seus ritmos. Meu corpo estremecia... Não por medo... Não por receios... Mas pelo fato de que aquela fúria também me contagiava. Meus olhos brilhavam em busca da mesma vendetta que ele desejava possuir. As penas se eriçavam, as presas afiavam, e garras surgiam. Sombras... Sombras... Elas cresciam com aquele eco que retornara... Eu jamais poderia deixá-lo só em um momento como aquele. Mesmo que minhas asas corressem os riscos de serem arrancadas naquele instante. Tornei-me sombra, tornei-me Anjo, tornei-me Guardião... Tornei-me aquele que sempre fui ao lado dele. Uma guerra se iniciara... Golpes eram dados... Mas jamais o deixaria só... E mesmo com a batalha finda... Com minhas asas negras feridas... Meu ar cansado... Sorrio... Sorrio e volto ao meu local de descanso... Pois, apenas naquele lugar, sei que posso descansar depois de tantas batalhas.
-------------------------------------- Veja também:
Sussurrado por Tyr Quentalë - 12:01 PM
3 :... Encontre a si mesmo ...:
2:49 PM
Penas Manchadas de Sangue - Parte I
Voava pelos Reinos em meus pensamentos distantes, lembrando-me da surpresa em que me encontrei, quando horas atrás, felicitava Lorde e Rei por um dia que pertencia a eles. Recordo-me perfeitamente de estar com um de meus joelhos a tocar o chão, naquela forma respeitosa dando tais felicitações, quando o Rei ajoelhou-se em meio aos salões de seu castelo, respirando fundo, longe daquilo que o possuía, deixando que outro sentimento o tomasse. Lembro-me de ter entreaberto os lábios, rebuscado o ar ao presenciar aquilo tão próximo do alcance de meus dedos. Alguns mortais ou criaturas podem vir a achar que minhas sombras são carregadas de apenas tristezas e lamúrias e talvez não venha compreender o breve fechar de meus olhos perante tamanha imponência daquele momento. Não havia lágrimas, preocupações, não havia porque interpretar de forma errada aquilo que se apoderou do Rei. Mas, Anjos são sempre Anjos e Guardiões não possuem descanso. Sons eram trazidos pelo vento. Andarilhos que seguem seus caminhos... Anjos feridos que deitavam suas lágrimas pelos prados... Ecos do passado que se tornavam mais presentes no rufar dos tambores de guerra. Esperei o Rei e Lorde se afastarem para averiguar o que o vento sussurrava entre as penas negras de minhas asas. Foi nesse vôo com pensamentos distantes que pude presenciar o primeiro eco de tempos antigos. Não muito distante era visível ver aquelas asas tão feridas, aquele corpo fraco, aquele olhar opaco. Repousava ao lado de um anjo que outrora tivera olhos tão vivos e uma serenidade invejável. Pude sentir aquele abraço, aquela confusão de sentimentos que o possuía. Escutar aquelas palavras que se formava em um turbilhão sem início, muito menos fim. Mesmo em seu olhar opaco, contava-me de suas batalhas, de suas feridas. Revelava-me que mergulhara em um abismo e que não conseguia mais se livrar dos grilhões que o cercaram. Meu cenho franzia, pois havia sido uma surpresa reencontrar aquele anjo de antigas batalhas, só que ao mesmo tempo doía-me ver que a serenidade dele desaparecera e assim como Azazel, sua luz fora tomada. Pude escutar seu lamuriar, relembrando-se do passado e ele pode me ver suspirando. Estávamos ambos mudados e ele pode perceber isso, retirando-se e arrastando seus pesados grilhões. Os ventos não estavam gelados... Pelo contrário, estavam amornados... Mas, como eu disse anteriormente, Anjos são sempre Anjos e Guardiões não possuem descanso. Não quando uma fúria é urrada ao ponto de estremecer os prados. Não quando outros ecos tornam-se tão presentes. --------------------------------------
Veja também:
Sussurrado por Tyr Quentalë - 2:49 PM
3 :... Encontre a si mesmo ...:
7:38 PM
A Presença de um Cigano
Misael havia feito seu relato e suas palavras foram de forte impacto. Ainda estava pensativo em tudo que pude vivenciar e sentir com aquelas palavras que não eram minhas. Com aquele relato que jamais fora meu. Mas muito ainda permeia as sombras que envolvem Arcádia, o Palácio e o Mundo, e foi em um dos meus vôos mais distantes do Rei, quando meus pensamentos estavam mais longínquos, que pude me deparar com crianças a brincar. Não havia medo naquelas sombras. Apenas alegrias que acompanhavam os sorrisos de adultos que se orgulhavam de suas proles. Pousei em passos leves, andando entre seres inocentes que não podiam me presenciar. Vi beijos e abraços apertados da comemoração de um dia que há muito havia esquecido. Não... Jamais esqueceria aquele dia que aos poucos fora se transformando em uma sombra que entranhara em minhas asas, como cicatrizes marcantes apenas naquele data em específico. Fechando minhas asas, meu olhar ficara distante e por muito tempo pensei ali entre os infantes. Não havia motivos para comemorar. Por muito tempo não havia motivos para que eu comemorasse aquele dia tão vazio para mim, até eu me lembrar... Rebusquei o ar e meus olhos ganharam novos tons... Abri minhas asas e voei o mais rápido que minhas asas poderiam agüentar com aquelas cicatrizes tão antigas que se reavivavam nesse dia. Um vendaval se fazia sentir em todos aqueles que se encontravam no Palácio e lá chegando, diante de Lorde e Rei, pus-me com um dos joelhos ao chão e murmurei. - Mesmo em meio às sombras que rodeiam esse Palácio, possuo palavras de grande importância para um cigano que caminha por essas terras. Respiro fundo por um breve momento e então direciono meus olhos aos senhores daquele lugar. - Este dia, pertence a vocês. Toda a alegria que permeia estas terras são presentes mais do que merecidos. Tenham um feliz dia, Lorde e Rei!
Sussurrado por Tyr Quentalë - 7:38 PM
3 :... Encontre a si mesmo ...:
2:47 PM
Um Relato de Misael
Misa abriu as longas asas alvas outrora arqueadas. Lambeu as penas ensangüentadas e sorriu com um corte incomum nos lábios. Um sorriso de alívio, um sorriso incerto de desafio. Ele fitou Ava, sentado displicentemente sobre uma coluna de pedra que ruía fazia anos. Ava vestia-se de vermelho, uma armadura de véus e seda escarlate, e as longas asas esticavam espreguiçando-se. Ele as sacudia, não havia ferimento. Passou a mão nos cabelos lisos e negros, curtinhos. Os olhos fitaram Misa, da mesma forma profunda. A boca rasgou-se também e as gotas de suor escorriam pelas têmporas pálidas. Misa arriscou um sobrevôo até Ava, arriscou um empurrão fazendo o anjo de vermelho cair de uma altura considerável do prédio que estavam. Eram 75 andares e Ava mergulhava sonolento. Misa observava de cima, com as mãos à cintura fina. Era um corpo franzino e comprido. Os olhos eram que chamavam a atenção, a íris não existia, não existia sequer pupila... Era simplesmente o branco dos não-olhos de Misael. Ele continuava sorrindo enigmático apreciando a queda de Ava que deixava um rastro e um cheiro de morte muito forte, muito peculiar no ar. Ava em sua queda fechava os olhos devagar, os velhos olhos rubros, olhos que a muito viam o que não podiam ver nunca. Ele abriu os braços e o Vento era a melhor coisa que sentia agora. O corpo alto parecia um projétil. A boca gritava, gritava antes de esmagar-se ao chão e virar pó... Ele não se salvou, ele quis cair... Morrer... Misael sorriu. A asa fora curada, como se nada houvesse acontecido. Ele também havia gritado um momento depois de ouvir o silêncio de Ava quando seu corpo encontrou-se com a solidez do chão. Gritou de prazer, nostalgicamente, pronto para renascer... Conteve-se no seu lugar, criou um casulo com as asas agora manchadas de vermelho. Não de sangue. Ele viu uma fita de seda vermelha adornar o pulso moreno de uma belíssima jovem e quis consumi-la, quis tragá-la, quis matá-la. Todo o contorno do corpo de Misael fora redesenhado. Uma aura rubro-alaranjada como o fogo queimava despedaçando suas vestes, levando por terra seus joelhos e as pedras de suas roupas... As pedras azuis de sua patente. Os olhos transparentes tomaram forma, eram azuis como o céu... O corpo branco e nu de Misa exibia as cicatrizes da vida, da culpa e seus ombros estavam em carne como a sua boca. Ele não se desesperou, era chegada a hora e ele iria, mesmo que o coração de cristal fosse despedaçado. Ele havia matado Ava, o companheiro de verdade, era Avael, e ele havia matado o anjo rubro. Ele viu seu percurso e nada pode fazer, também era chegada a hora dele partir, de seu corpo virar fumaça e espalhar-se. Nunca subir, nunca descer, mas espalhar-se... Misa lembrou-se de recitar, lembrou-se apenas de uma coisa dentre as muitas que deveria lembrar, mas nunca quis. Deu espaço a um simples recitar.
- Eu o tive como meu Irmão, um irmão que eu invejei por toda a vida. Agora que consegui eliminar a minha inveja eu não estou pronto para renascer, estou pronto para desaparecer e não me espalhar. Não me arrependo. Não me arrependerei nunca, pois quem se arrepende em favor de homens não tem o perdão de Anjos. Perdoe-me meu Irmão, e me congele...
Ele não foi congelado, também não recebeu perdão de ninguém... O corpo fora levado depois que o coração fora flechado. Uma flecha de fogo penetrou e fez sangrar o coração de cristal de Misa e o nome do dono da flecha era Avael...
Minhas asas se fechavam junto ao meu olhar. Mesmo estando tão longe, era difícil não escutar. De não sentir. Avael partia... Misael partia... E aqui deixo ao alcance de todos o relato de outro Anjo...
Sussurrado por Tyr Quentalë - 2:47 PM
2 :... Encontre a si mesmo ...:
1:29 AM
Guardião
Um mergulho do pináculo até as sombras que se estendiam naquele reino, sem o abrir das asas, sem o peso das batalhas. Apenas o frio que ia tomando conta do meu corpo à medida que eu mergulhava naquelas sombras de olhos fechados quando tantos olhavam assombrados implorando para que eu as abrisse. Enfim, meu corpo mergulhava e as sombras envolviam meu corpo. O Silêncio aumentava naquela estranha sensação de liberdade, onde muitos ousariam pensar que eu voaria alto aos céus, rompendo aquela negritude que ganhava formas inusitadas. Abraçava minhas pernas, ainda de olhos fechados, escutando vozes, sussurros e batalhas inacabadas. Escutava risos, suspiros aliviados, pensamentos quebrados e clamores. Podia escutar os corações que aceleravam ou que se alquebravam quando a noite se aproxima e tudo se torna mais terrível. Podia sentir minhas mãos geladas, quando um rebuscar de ar se faz mais forte, fazendo-me surgir novamente das sombras, erguendo meu corpo às alturas e meus olhos a buscarem algo mais. As asas ainda úmidas mostram-me o peso de noites salgadas que sempre estiveram ao meu alcance. Girava meu corpo, batendo minhas asas fortemente, pois meus sentidos me alertavam e ao mundo de Morpheus busquei o mais intricado labirinto para mais uma vez chegar ao pináculo tão bem conhecido por minhas asas. Um forte impulso levou-me aos parapeitos e resoluto, deixei meus passos mostrarem-se presentes. Certezas de minha mente e alma, e o fechar de minhas asas com tamanha determinação. Agora com o coração acelerado, mantenho meu olhar obstinado e mesmo em semblante sério, sentindo em minhas asas a feroz batalha que transcorre naquele momento, meu sussurro é assertivo àqueles que realmente conseguem me ouvir. - Dê-me tua mão e eu te segurarei! Peça socorro e eu irei! Chore suas lágrimas e eu secarei. Tens em mim alguém que irá te amparar! Alguém que te reerguerá! Alguém que te escutará, mesmo nos confins do mundo. E ali, aos olhos vistos, a escuridão se alumiava com serpentes que ganhavam forma em meio à escuridão que me circundava.
Sussurrado por Tyr Quentalë - 1:29 AM
3 :... Encontre a si mesmo ...:
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